Geoglifos escondidos sob a Floresta Amazônica: cientistas revelam centenas de estruturas gigantes
Mapeamento a laser identificou 396 estruturas antes desconhecidas e indica que dezenas de milhares de obras pré-coloniais ainda podem existir na região.
Centenas de formas gigantes permaneceram praticamente invisíveis sob as árvores da Amazônia por séculos. Agora, uma campanha de mapeamento a laser revelou centenas de novas estruturas em uma paisagem modificada por sociedades indígenas ao longo de mais de dois milênios.
Em um levantamento realizado no Acre e no Amazonas, pesquisadores identificaram 432 obras de terra, das quais apenas 36 já tinham registro anterior. Portanto, 396 estruturas eram desconhecidas até a análise com LiDAR.
A descoberta não significa que alguém encontrou desenhos pintados no chão ou uma única “cidade perdida”. Na realidade, são obras de terra pré-coloniais, incluindo geoglifos, grandes fossos, aterros, recintos geométricos e caminhos moldados diretamente no terreno.
Segundo o estudo publicado na Nature, os resultados indicam algo ainda mais surpreendente: as centenas de estruturas encontradas podem representar apenas uma pequena amostra do que continua oculto pela floresta.
O que os cientistas encontraram sob a Floresta Amazônica?
O levantamento aéreo ocorreu em 2024 e analisou aproximadamente 4.497 km² do sudoeste amazônico. Ao todo, as aeronaves percorreram cerca de 4.430 quilômetros durante a coleta dos dados.
Nesse território, o sistema registrou 432 estruturas arqueológicas.
O número chama atenção porque somente 36 eram conhecidas anteriormente. Dessa forma, o levantamento acrescentou 396 obras de terra ao mapa arqueológico da região.
| Descoberta | Número |
|---|---|
| Obras de terra detectadas | 432 |
| Estruturas já conhecidas | 36 |
| Estruturas antes desconhecidas | 396 |
| Área levantada | 4.497 km² |
| Extensão dos levantamentos | 4.430 km |
Existe, porém, uma distinção importante: nem todas as estruturas identificadas precisam pertencer ao mesmo período ou ao mesmo complexo sociocultural.
O próprio estudo diferencia obras associadas ao chamado complexo Aquiry de estruturas posteriores encontradas na região. Portanto, as 396 novas ocorrências não devem ser interpretadas automaticamente como 396 construções Aquiry.
Além disso, o resultado mostra como nossa visão sobre a ocupação antiga da Floresta Amazônia pode depender da tecnologia utilizada para observá-la.
Quando pesquisadores analisavam principalmente fotografias aéreas ou imagens de satélite, a vegetação escondia boa parte das estruturas. Com o LiDAR, entretanto, o relevo abaixo das árvores ficou muito mais perceptível.
Afinal, o que são esses desenhos gigantes da Amazônia?

A expressão desenhos gigantes ajuda a imaginar o formato visto de cima, mas pode causar uma interpretação errada.
Essas formas não foram pintadas.
Na prática, são grandes obras de engenharia em terra. Comunidades antigas escavaram fossos, acumularam aterros e organizaram espaços com formatos geométricos bastante definidos.
Entre as formas encontradas estão:
- Círculos: grandes recintos arredondados delimitados por fossos ou elevações de terra.
- Quadrados e retângulos: estruturas com linhas marcadas e proporções que demonstram planejamento.
- Formas multilaterais: construções com vários lados e desenhos mais complexos.
- Estruturas combinadas: em alguns locais, diferentes recintos aparecem próximos uns dos outros.
- Caminhos retilíneos: algumas construções estavam conectadas a estradas ou corredores abertos na paisagem.
Por isso, quando vistas em mapas digitais de relevo, essas estruturas realmente lembram enormes desenhos geométricos.
Entretanto, sua importância vai muito além da aparência.
Elas exigiram planejamento, movimentação de grandes volumes de terra, trabalho coletivo e manutenção durante longos períodos.
Algumas estruturas têm dimensões impressionantes
É difícil perceber a escala desses geoglifos amazônicos apenas olhando uma fotografia.
De acordo com a pesquisa, muitas estruturas apresentam entre 0,35 e 14 hectares. Alguns dos maiores exemplos conhecidos citados no trabalho chegam perto de 50 hectares.
Além disso, alguns fossos alcançam aproximadamente 9 a 13 metros de largura e podem chegar a cerca de 5 metros de profundidade.
Essas dimensões aparecem diretamente no estudo publicado na Nature, que descreve os grandes fossos associados aos geoglifos da região.
Imagine caminhar em meio à floresta e encontrar apenas uma pequena depressão no terreno.
Do chão, talvez ela não pareça extraordinária.
Entretanto, quando todo o relevo é reconstruído digitalmente e observado de cima, aquela depressão pode fazer parte de um círculo, quadrado ou recinto monumental com centenas de metros de extensão.
É justamente aí que entra a tecnologia responsável pela nova descoberta.
Uma tecnologia a laser revelou o que as árvores escondiam

O LiDAR, sigla em inglês para Light Detection and Ranging, utiliza pulsos de laser para medir distâncias com grande precisão.
Durante o levantamento, equipamentos instalados em uma aeronave enviam uma enorme quantidade de pulsos em direção à superfície.
Parte desses pulsos encontra folhas e galhos. Outros, porém, conseguem passar pelos pequenos espaços existentes entre a vegetação e alcançar o solo.
Posteriormente, computadores analisam os retornos e produzem modelos tridimensionais do relevo.
Dessa forma, os pesquisadores conseguem reduzir digitalmente a interferência da vegetação e observar:
- fossos, identificando depressões artificiais no terreno;
- aterros, revelando áreas elevadas produzidas por movimentação de terra;
- recintos geométricos, mostrando formas que dificilmente aparecem ao nível do chão;
- caminhos antigos, evidenciando conexões entre determinados locais.
A Universidade Federal do Pará destaca que os levantamentos realizados em 2024 ajudaram a ampliar significativamente a compreensão sobre a extensão da ocupação pré-colonial nessa parte da Amazônia.
Como isso funciona na prática?
Pense em uma enorme estrutura circular coberta por árvores.
Uma fotografia comum feita de cima registra principalmente as copas verdes. Consequentemente, o círculo pode simplesmente desaparecer na imagem.
O LiDAR trabalha de outra maneira.
Ao registrar os pontos que conseguem atingir diferentes alturas — inclusive o solo — o sistema permite reconstruir o formato do terreno.
Assim, aquilo que parecia apenas floresta começa a revelar valas, elevações e padrões geométricos.
O dado mais revelador: em determinadas áreas, o levantamento com LiDAR encontrou aproximadamente cinco vezes mais estruturas do que levantamentos anteriores baseados em imagens de satélite haviam registrado.
O estudo mostra um exemplo direto dessa diferença: em uma área onde imagens de satélite haviam permitido identificar 30 estruturas, o LiDAR revelou 156.
Ainda assim, nem mesmo o laser consegue mostrar tudo.
Em regiões extremamente densas, poucos pulsos conseguem alcançar adequadamente o solo. Portanto, algumas construções podem continuar difíceis de visualizar mesmo após o mapeamento.
Quem construiu os geoglifos amazônicos?
Grande parte dos geoglifos e recintos monumentais analisados foi associada a um amplo complexo sociocultural pré-colonial chamado Aquiry.
Entretanto, é importante entender o significado desse termo.
Não se trata necessariamente de uma única cidade, um único povo homogêneo ou um império nos moldes mais conhecidos da história.
Os pesquisadores descrevem o Aquiry como uma sociedade multicultural complexa, formada por comunidades que compartilhavam elementos socioculturais identificáveis na organização monumental da paisagem.
Consequentemente, a descoberta indica uma ocupação regional muito mais complexa do que a ideia de pequenos grupos completamente isolados uns dos outros.
Também é importante lembrar que o levantamento identificou estruturas posteriores ao período Aquiry, razão pela qual não é correto atribuir automaticamente todas as 432 obras detectadas — ou todas as 396 novas — ao mesmo conjunto cultural.
As construções começaram há mais de 2.500 anos
Os modelos cronológicos utilizados no estudo situam os geoglifos associados ao período Aquiry aproximadamente entre 600 a.C. e 850 d.C.
Isso significa que algumas dessas construções começaram a aparecer há mais de 2.500 anos.
Portanto, muito antes da chegada dos europeus, sociedades indígenas já planejavam, escavavam e mantinham estruturas monumentais no sudoeste da Amazônia.
Além disso, esses espaços estiveram presentes durante aproximadamente 1.500 anos de transformações sociais.
Esse longo período importa porque mostra que não estamos diante de uma obra isolada construída ocasionalmente.
Era necessário organizar pessoas, conhecimento e recursos repetidamente ao longo de muitas gerações.
Os cientistas acreditam que milhares ainda estejam escondidos
As 396 estruturas desconhecidas já seriam uma descoberta expressiva por si só.
Entretanto, a parte mais intrigante da pesquisa aparece quando os cientistas extrapolam os dados do levantamento para a área mais ampla de ocorrência dessas construções.
Os modelos indicam que podem existir aproximadamente 24 mil a 30 mil obras de terra distribuídas pelo território analisado.
Isso não significa que 30 mil estruturas já tenham sido encontradas e confirmadas individualmente.
O número representa uma estimativa científica, calculada a partir da densidade observada nas áreas mapeadas, dos levantamentos anteriores e dos modelos utilizados pelos pesquisadores.
A diferença é essencial.
| O que sabemos | O que o estudo estima |
|---|---|
| 432 estruturas foram detectadas no novo levantamento | Podem existir aproximadamente 24 mil a 30 mil obras de terra na região |
| 396 eram anteriormente desconhecidas | Cerca de dois terços do conjunto estimado podem estar associados ao período Aquiry |
| O mapeamento direto cobriu 4.497 km² | A área cultural atribuída ao Aquiry chega a aproximadamente 183 mil km² |
Em outras palavras, centenas foram identificadas diretamente, mas dezenas de milhares ainda podem existir.
O estudo chegou a estimativas próximas de 23,8 mil estruturas por um método baseado nos dados LiDAR e aproximadamente 29,5 mil por outra extrapolação baseada também em levantamentos anteriores.
Uma área arqueológica de aproximadamente 183 mil km²
A distribuição conhecida das estruturas permitiu ampliar consideravelmente a área associada ao complexo Aquiry.
O território estimado chega a cerca de 183 mil quilômetros quadrados.
Para ter uma ideia da escala, a área ultrapassa o núcleo pesquisado no Acre e sul do Amazonas e alcança regiões próximas nos atuais territórios da Bolívia e do Peru.
Por outro lado, ainda existem áreas onde a ausência de levantamentos arqueológicos detalhados impede estabelecer limites definitivos.
O próprio estudo deixa algumas relações culturais e cronológicas de estruturas localizadas fora das áreas mais bem estudadas como questões ainda abertas.
Portanto, o mapa atual provavelmente continuará mudando conforme novas regiões forem examinadas.
A região pode ter reunido milhões de habitantes
Esta é uma das conclusões mais impressionantes — e também uma das que exigem mais cuidado.
Segundo o modelo apresentado na pesquisa, a população associada ao complexo Aquiry pode ter alcançado entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas, especialmente entre aproximadamente 100 e 300 d.C.
Não significa que arqueólogos tenham encontrado uma cidade com três milhões de moradores.
Também não se trata de uma contagem populacional direta.
Em vez disso, os pesquisadores combinaram informações como:
- quantidade estimada de estruturas;
- cronologia dos locais;
- possibilidade de uso simultâneo;
- tamanho das construções;
- mão de obra necessária;
- registros arqueológicos;
- informações etnográficas.
Com isso, construíram uma estimativa para a população regional.
O resumo científico publicado pela Nature afirma que a área estudada representa menos de 3% da Grande Amazônia e pode ter sustentado entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas no período analisado.
O artigo científico original apresenta a mesma faixa populacional para aproximadamente 100–300 d.C.
Portanto, o dado realmente muda a escala da discussão sobre a ocupação pré-colonial amazônica.
Para que serviam essas enormes estruturas?
Ainda não existe uma resposta única que possa ser aplicada de maneira automática a todos os geoglifos.
Entretanto, os pesquisadores interpretam muitos dos grandes recintos associados ao Aquiry como espaços públicos, cerimoniais e políticos utilizados em encontros temporários, e não como estruturas defensivas ou áreas necessariamente ocupadas permanentemente.
Em vez de imaginar milhares de pessoas morando permanentemente dentro de cada recinto, faz mais sentido pensar em comunidades distribuídas pelo território que utilizavam determinados locais para atividades coletivas.
Esses espaços podem ter servido para:
- cerimônias: reuniões relacionadas à vida social e às tradições;
- encontros comunitários: momentos em que grupos distribuídos pelo território se reuniam;
- atividades políticas: relações e decisões envolvendo diferentes comunidades;
- festas e outras atividades coletivas: ocasiões que exigiam grandes espaços públicos.
O próprio estudo também discute motivações socioculturais e cosmológicas que poderiam envolver diferentes formas de arte, dança, música e atividades esportivas ao longo dessa história.
Entretanto, essas possibilidades fazem parte da interpretação arqueológica e etnográfica. Não é correto afirmar que todos os geoglifos tiveram exatamente as mesmas funções.
Construir tudo isso exigia muito mais do que força física
Escavar um fosso de vários metros de largura e profundidade sem equipamentos modernos já seria uma tarefa enorme.
Agora imagine construir numerosos recintos, manter caminhos e repetir esse processo durante gerações.
Na prática, isso exigiria coordenação coletiva.
Entre os conhecimentos e recursos necessários estavam:
- planejamento: definir formato, dimensão e localização das estruturas;
- divisão de tarefas: organizar grande quantidade de trabalhadores;
- conhecimento geométrico: construir círculos, quadrados e outras formas planejadas;
- manutenção: impedir que os espaços desaparecessem rapidamente sob a vegetação;
- organização social: coordenar comunidades e atividades coletivas.
Os autores do estudo destacam justamente que obras monumentais dessa escala exigiriam força de trabalho significativa, divisão do trabalho e conhecimentos relacionados à matemática e à geometria.
Assim, os geoglifos não são apenas curiosidades arqueológicas.
Eles são registros físicos da capacidade de organização das sociedades que ocuparam aquela região.
A descoberta muda o que sabemos sobre a Amazônia antiga

Durante muito tempo, uma visão simplificada descreveu grandes áreas amazônicas como ambientes que teriam sustentado apenas populações pequenas e muito dispersas antes da chegada europeia.
Entretanto, descobertas arqueológicas das últimas décadas vêm tornando essa interpretação cada vez mais difícil de sustentar.
Pesquisas brasileiras já descreviam centenas de geoglifos na Amazônia ocidental. Um estudo publicado em 2007 na Revista de Arqueologia da Sociedade de Arqueologia Brasileira, por exemplo, relacionava essas estruturas à existência de sociedades organizadas e ocupações expressivas na região.
O artigo brasileiro, intitulado “Geoglifos da Amazônia ocidental: evidência de complexidade social entre povos da terra firme”, é anterior em quase duas décadas ao novo levantamento LiDAR.
A pesquisa de 2026 acrescenta uma nova dimensão a essa história.
A grande novidade não é provar que existem geoglifos na Amazônia — isso já se sabia.
O avanço está em mostrar que eles podem ser muito mais numerosos e distribuídos do que os registros visíveis sugeriam.
Além disso, o trabalho reforça a possibilidade de que sociedades indígenas tenham transformado determinadas áreas da floresta de maneira planejada durante períodos muito longos.
Isso significa que toda a Amazônia era uma grande cidade?
Não.
Essa conclusão iria muito além do que as evidências permitem afirmar.
Os pesquisadores não encontraram uma única megacidade contínua ocupando a Amazônia.
Também não concluíram que toda a floresta tenha sido desmatada ou urbanizada no passado.
O cenário indicado pelas evidências é mais complexo.
Diferentes regiões possuíam formas e intensidades distintas de ocupação. No sudoeste amazônico estudado, contudo, os geoglifos apontam para redes de comunidades, centros monumentais e paisagens profundamente relacionadas à atividade humana.
Inclusive, algumas áreas atravessadas pelo levantamento apresentaram densidade muito baixa ou ausência de estruturas detectáveis, algo que os próprios pesquisadores discutem ao tentar estabelecer os limites geográficos do complexo Aquiry.
Essa diferença evita transformar uma descoberta científica impressionante em uma afirmação sensacionalista.
E os geoglifos são iguais às famosas Linhas de Nazca?
Apesar da semelhança visual em algumas imagens aéreas, são contextos arqueológicos diferentes.
As famosas estruturas do deserto peruano incluem linhas e figuras produzidas principalmente pela remoção de materiais da superfície.
Na Amazônia, entretanto, grande parte dos geoglifos envolve fossos profundos, aterros e recintos geométricos.
Além disso, as culturas, épocas e possíveis funções não são necessariamente iguais.
Portanto, a comparação ajuda apenas a visualizar a escala das formas observadas de cima.
A floresta de hoje também pode guardar marcas dessas sociedades
A influência dessas populações pode não estar limitada aos fossos e aterros.
Segundo os pesquisadores, comunidades que permaneceram na região durante séculos provavelmente também interferiram na composição dos solos e da vegetação.
Isso pode ter ocorrido por meio do cultivo, manejo da floresta, seleção de espécies úteis e uso repetido de determinadas áreas.
A UFPA destaca, por exemplo, evidências relacionadas a horticultura e manejo de espécies arbóreas utilizadas para alimentação e outras atividades.
Consequentemente, parte da floresta observada atualmente pode carregar um legado biocultural de ocupações humanas muito antigas.
Isso não significa que a Amazônia seja uma floresta artificial.
Significa, porém, que a separação entre “natureza” e “presença humana” pode ser muito mais complexa quando observamos milhares de anos de história.
Quantos outros desenhos gigantes ainda podem existir?
Essa talvez seja a pergunta mais fascinante deixada pela descoberta.
O levantamento examinou milhares de quilômetros quadrados e encontrou centenas de estruturas desconhecidas. Mesmo assim, ele cobriu apenas uma parcela da enorme região amazônica.
Além disso, a vegetação muito densa dificulta até mesmo o uso do LiDAR em determinadas áreas.
O estudo mostra que, em algumas regiões analisadas, parte significativa do terreno não pôde ser visualizada com qualidade suficiente para detectar todas as estruturas comuns.
Portanto, novas campanhas de mapeamento podem revelar outros geoglifos escondidos sob a Floresta Amazônica.
O Instituto Geoglifos da Amazônia também destacou a descoberta das 396 estruturas anteriormente desconhecidas e o potencial do mapeamento a laser para ampliar o conhecimento sobre a arqueologia do Acre e do sul do Amazonas.
Quanto mais regiões forem examinadas, mais detalhado ficará o mapa dessa ocupação antiga.
E talvez esse seja o aspecto mais impressionante de toda a descoberta: o que os cientistas encontraram não encerra o mistério — mostra o tamanho daquilo que ainda falta descobrir.
Sob uma das maiores florestas do planeta, formas construídas há mais de dois milênios continuam registradas no solo. Cada novo levantamento pode revelar outra parte de uma história humana que permaneceu escondida não porque desapareceu completamente, mas porque a própria floresta cresceu sobre ela.



